Quarta-feira, Março 12, 2008
[operação refletir]
70 horas na Ilha do Mel
Dai-me Senhor,
a perseverança das ondas do mar,
que fazem de cada recuo
um ponto de partida
para um novo avanço.
[Gabriela Mistral]

A previsão do tempo para o último final de semana era extremamente bondosa: sol forte, céu limpo, temperatura média beirando 30 graus centígrados durante o dia e previsão de pancadas de chuvas apenas ao final do domingo. O Simepar nos ajudou a decidir desembarcar na Ilha do Mel (entrada da Baía de Paranaguá) na sexta-feira à tarde.
Antes de mais nada é preciso contar uma proeza. Nasci em Paranaguá e consegui esta façanha de levar 53 anos para conhecer o verdadeiro paraíso que existe naquele lugar. A meu favor, mas nem tanto, o fato de estar em Curitiba, fora do meu berço, há exatos 33 anos, o que de todas as maneiras não justifica o fato de ter sido marinheiro de primeira viagem nesta maravilhosa direção.
Pois bem, a Ilha do Mel tem uma paisagem deslumbrante. Quem deixa o continente, a partir do Pontal do Paraná, em menos de 25 minutos da travessia de barco já começa a sentir o encanto que vai encontrar. Desembarcar na parte sul da ilha, na comunidade de Encantadas, significa contar com boa infra-estrutura necessária a uma estadia saudável e repleta de expectativas e descobertas. Mesmo fora das temporadas concorridas, é mais pacata que a comunidade ao norte, a Nova Brasília, onde se concentra maior número de nativos e o movimento de turistas é mais elevado.
Lá, na Pousada Coração da Ilha, localizada na Prainha, a 600 metros à esquerda do trapiche, Leila e eu fomos recebidos e bem hospedados pelo casal Guimarães e Juliana. Guarde esta dica. Eles fazem um trabalho profissional com excelente atendimento, orientação e prática de preços honestos. As instalações são agradabilíssimas, bem localizadas e o casal contribui para um ambiente mais que amigo.
Final da sexta, sábado, domingo e meio dia da segunda-feira foi o tempo necessário para que desfrutássemos de quase tudo.
Por trilhas estreitas e a beleza inconfundível da orla, com o Atlântico aos pés, foi possível matar a curiosidade em conhecer a Gruta das Encantadas (entre a Praia de Fora e a Ponta da Encantada), local místico e cheio de lendas de pescadores. Para os que se aventuram em lá chegar nas noites de lua, há quem jure ouvir o canto de mulheres que vivem na gruta. A lenda diz que cantam para atrair os homens. Fomos durante o dia e ao menos tivemos o prazer de ouvir a música instrumental da natureza exuberante: o som das ondas quebrando nas pedras da entrada da gruta.
No sábado uma bela caminhada pela orla para repor energias através das areias brancas das Praias do Miguel e Grande e uma tentativa frustrada de atravessar por entre as rochas para alcançar a Praia do Farol que deixamos para chegar de barco, por Brasília, no dia seguinte. Almoçamos no Marisquinho, na Praça de Alimentação, sentindo a brisa do oceano e ouvindo a sinfonia das ondas no \\"gargarejo\\".
A noite costuma presentear com um silêncio maravilhoso. Defronte à Prainha em penumbra, com as luzes do continente ao longe, silhuetas de pequenos barcos ancorados e o céu magnificamente pintado de estrelas, o vento brando e suave parece anestesiar o corpo. A contemplação faz a gente se aproximar da própria alma. É uma experiência espetacular que propicia ao silêncio nos dizer muito mais do que simples palavras. O homem tem na natureza o maior aliado na sua busca pelo caminho da realização espiritual, mas assim mesmo comete o disparate de tratá-la tão mal por pensar que tudo sabe, como se fosse um deus.
Domingo lindo, tarde de sol, pego uma lancha e vou pro Farol. Lembra de ter cantado algo parecido com isto? Não fomos pescar, como Erasmo Carlos na canção chinfrim, mas comemos um bom filé de pescada branca e boa porção de camarão frito lá em Brasília, no Restaurante Paraíso, defronte a Pousadinha, outro lugar muito bonito.
Do alto do morro, sem sabermos da proibição de subir no Farol das Conchas por obra do vandalismo de alguém que arrombou a porta as pessoas estavam adentrando ao interior , apreciamos uma paisagem emocionante, verdadeira maravilha da natureza em 360 graus de visão indescritível. Os olhos conseguem alcançar todo formato da Ilha, cujo coração da mata é engalanado de um lado pelos tons verdes e azuis do oceano, a costa bordada pelas areias das praias e rochas nos morros, e, de outro, pela suavidade da baía com suas águas calmas abrindo portas da bacia para o porto, alimentando os mangues e depois abrigando o pôr-do-sol encantador.
Talvez a gente desça rápido do Farol não pela vertigem, mas principalmente pelo efeito magnético que em nós exerce a terra firme, sábia em ensinar o quão minúsculos todos somos ante a exuberância da natureza infinita.
No Norte, a Fortaleza de Nossa Senhora dos Prazeres, construída pelos portugueses em 1767, que tinha a missão de proteger o litoral paranaense e a entrada estratégica para o porto de Paranaguá de uma possível invasão espanhola, desta vez foi apenas apreciada de longe. Deixamos para uma segunda visita. Ela significa desde já um dos motes para breve retorno a este lugar encantado e que, apesar de ser ponto minúsculo na grandeza do mar, é capaz de nos oferecer verdadeira aula sobre a magnitude do meio ambiente. Além de nos fazer voltar na História e oferecer a oportunidade de refletirmos sobre nosso trágico desaprender da importância fundamental da Natureza.
Segunda-feira chegamos a Curitiba no final da tarde, recebidos por uma chuva torrencial. Eram as águas de março fechando o verão. Promessa de vida nos nossos corações.

A Ilha do Mel não é um balneário, é uma área de conservação da Natureza!
[IAP - Instituto Ambiental do Paraná]
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- Fotos da Pousada [para quem é usuário do Orkut]
- Informações do IAP
- Informações, Dicas e Segredos da Ilha
Por Ery Roberto Corrêa | 10:56 AM - Link deste post
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Perfil do AutorEu sou a Sra. Juliana. 25 Apaixonada por decorações.
Minha atividade principal aqui na pousada é promover decorações e atendimento personalizado a casais em comemorações especiais como: Lua de Mel, Bodas, Aniversários etc.


