DUNAS DE GENIPABU
Nesse período momesco findo estive visitando as terras potiguares. Como há muito deixei de brincar o Carnaval, não só pelas mudanças ocorridas que fizeram a festa se distanciar bastante da tradição, mas também pelas comodidades que meu corpo a cada dia que passa mais exige, aproveito esses momentos mais prolongados para torná-los em lazer cultural ou simplesmente lazer.
Fui à Natal descansar, pois, na bonita praia de Ponta Negra aonde pude gozar das maravilhas de suas paisagens, da tepidez de suas águas, da boa acomodação de seus hotéis e, principalmente, da boa acolhida do seu povo. Lá, eu e Socorro, pudemos viver inesquecíveis momentos de alegria e de sabor sentimental.
Um dos diversos desses momentos foi o passeio às praias do litoral norte e às dunas de Genipabu, em especial. Passeamos desde Ponta Negra até Muriú, passando por Redinha, Santa Rita, Genipabu, Barra do Rio, Graçandú, Pitangui, Jacumã e Porto Mirim. Nas praias de Pitangui e Jacumã visitamos além das dunas as suas lagoas. São locais de grande beleza e encantamento, mormente pelas sinuosidades das dunas móveis e pela mansidão dos espelhos d\'águas das lagoas.
As dunas são formações de areia trazidas pelo vento e pelo mar que vão se depositando por longas distâncias e formando montanhas e vales. Algumas são estacionárias nelas contendo água e vegetação, vindo algumas delas a se consolidarem perpetuamente. Outras são migratórias nelas tendo apenas areia. Alcançam centenas de metros de altura e quilômetros de extensão.
Em suas encostas os bugueiros trafegam com seus bugues realizando manobras as mais diversas, plantando emoções em seus passageiros. Foi o caso de Tontonhe, o bugueiro alegre e sorridente que nos fez subir a adrenalina com velocidade acelerada e suas manobras recheadas de emoção. Lá eles oferecem o passeio sob dois tipos de programas: sem emoção e com emoção, estando este último dividido em três fases chamadas de Erasmo Carlos, Roberto Carlos e Coca Cola, ou seja, moderado, médio e radical.
As dunas de Genipabu são um dos famosos cartões postais do Rio Grande do Norte e atraem muitos turistas. É comum ali se vê turistas estrangeiros se deliciando daqueles ambientes naturais: as dunas calmas e as águas mornas e limpas da praia e doces da lagoa. Ao lado disto as atrações dos dromedários que relembram o oriente e dos esquibundas e aerobundas, que fazem os turistas descerem sentados em pranchas ou nelas pendurados para mergulharem nas águas da lagoa.
O Buraco de Jade, uma depressão dentro das dunas douradas para onde se dirigiu a personagem de Giovanna Antonelli em O Clone fugindo de seu desamor, nos faz imaginar como se deu a gravação daquela novela hoje reprisada na televisão. Naquelas dunas foram filmadas várias partes, inclusive figurando nela o bugueiro Tontonhe, que não perdia tempo em fazer brincadeiras.
Aproveitamos bem o passeio e sentimos realmente boas emoções. Não obstante a posterior inflamação do nervo ciático de minha perna direita, pelas trepidações e desconforto do bugue, que me tirou um pouco do humor da viagem, ainda me disponho a novas aventuras. Nada melhor que um bom passeio em ótima companhia.
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Perfil do AutorBrasileiro, professor, advogado, Presidente da Academia de Letras de Campina Grande.


